O fim é certo

sempre foi, e todos sabem disso. O infinito é só mais uma invenção das mentes ocupadas que provam numericamente o que a humanidade nega sem cansar. Nada que o coração tenha capacidade de sentir e seja visível aos olhos da alma, é ao homem, sem final. Mas uma coisa é certa: nós.
Não importa a medida de tempo e espaço, independemos de qualquer fator numérico que limite a nossa explosão ao sermos um. Sequer um expert em sinal corporal sabe perceber, descrever ou discernir o efeito que teu toque me causa. Então por que, me diga, se basear nas teorias – por óbvias que sejam elas?
Afundo num conceito que criei de nós, sem pudor, limite ou receio algum. Porque você sabe, meu bem, que o mundo é incontestavelmente dos intensos.
Sempre foi.

 

TT

Ouve.

Escuta o que o tempo diz

Diz só pra quem quer ouvir

Ele grita que o que importa é o romance,
sem qualquer responsabilidade.

Berra que o trabalho não é quem faz a lua brilhar toda noite
O que a irradia é a loucura
que precisa ser sentida.
Por Deus, a loucura tem de ser sentida!

Feito dor.

Inocente aquele que não atende as mensagens do tempo
Corre tanto que é bom ficar alerta

E veja bem..
Não há tempo algum em que compense ser só.

 

TT 

Eu sabia. 

O corpo leve por consequência da paz que acarreto a cada gargalhar {teu, meu ou nosso}. Todo vento que me esvoaça os cabelos causa quase tantos nós quanto teus lapsos de consciência, em minha cabeça. Confunde meu raciocínio nada lógico.

Penso, repenso, desfaço e me convenço de que não há nada errado. Não há! E eu sei que não. Nunca houve. E a cada novo dia que (re)nasço sendo tua eu sei ainda mais. 

TT

Por trás do espelho

Não sou o que você vê.

O sorriso nem sempre é leveza

e o franzir da testa, mal humor. 

Existe uma luta diária resumida em desvendar qual fração do meu eu suicidar, para que então exista espaço para um novo nascer. O ser é reciclável. E o imutável, descartável. 

A dúvida é inquietante, embora também intrigante. O olhar perdido junto a um semblante confuso é resultado do auto conhecimento exacerbado, que por sua vez, é resultado da solidão voluntária.

Estar rodeado não necessariamente é estar acompanhado, e a companhia dum ser que transborda muito mais acrescenta do que vinte contidos.. Outra essa necessidade em matar partes: ter memória livre para arquivar a beleza externa. Há muito a ainda ser guardado.

 
Não sou o que você viu. 

Voce não me conhece. Só um fragmento meu é capaz disso e luto para que a ele, eu tenha acesso. 

Não sou o que você deixou pra trás. 

O que era ontem, já não sou mais. 

Sou a auto mutilação que dá espaço para o renascimento da alma. 

Se de fato a construção vem da destruição,

estou certa de que ainda não sou obra acabada. 

TT

A coexistência não compensa

As pessoas tem levado demais em consideração os ditos “deveres”. Acredito sim na importância do planejamento e programação. Mas e o percurso? Até que ponto é aceitável coexistir em função de um futuro evidentemente incerto? Certeza mesmo só se tem do presente.

Tem que fazer faculdade que desgosta, caso contrário, não há sustento – salvo as raras exceções. Trabalhar no setor comercial com um querendo passar por cima do outro. Setor público? Também. Desgastante. Ônibus lotado e na mochila vai o pote da marmita pro almoço e o caderno pra aula. Nas costas? Vinte anos e três hérnias de disco. Olheiras, queda de cabelo, tendinite. 

Chegando em casa com tudo o que saiu pela manhã, sensação de vitória. Menos 15 horas da jornada semanal.. Fim do ano reclama que “metade da renda anual” foi de imposto. Não sobra muita $ coisa. 

Ainda ano passado um caso duma jovem com seus lá vinte e poucos anos, faleceu. Ataque cardíaco. Pra trás? O marido e o filho pequeno. A razão? Stress. Um exemplo dentre os muitos casos. Um exemplo degradante.

Até que ponto seguir o fluxo racional na vida compensa? Não sabemos o que vai acontecer amanhã, então vale amar o hoje. Qualquer dez/vinte minutos bem vividos por dia podem ser considerados glória. Todo dia. 

Ninguém sente a nossa dor e o peso nos ombros tensos. Cabe a nós as decisões. Somos nós quem sabemos onde o calo aperta. E não! Não vale a pena seguir o fluxo. A vida é pra ser vivida. E quem a vive, somos nós.

A vida se dá dos encontros de universos individuais, guardados em casa ser. Somos galáxias. Nós existimos, e não deixaremos que sociedade nenhuma nos faça ser menos que isso!

TT

Mulher 

tem todo o brilho 

no olho

no corpo

no molejo dos cabelos,

sarará

escorrido. 

Mulher é intensa 

em gênero, número e grau. 

Não tropeça, se joga!

E vive. 

Nega-se a negar-se! 

E quando sofre, não chora 

desagua.

Mulher é rio e ruína 

flor que nunca desatina 

pois quando semente,

já não há juízo. 

Mulher dança na larva fervente,

desde feto, a gente. 

TT 

O corpo

Um assunto delicado hoje e sempre. Muito se fala em idealização, quando se chega neste ponto. Mas idealizar o que? O fato é que somos feitos de insatisfações com tudo o que nos cerca. Não se trata só de corpo. Estamos constantemente idealizando algo além do nós. Condição financeira, posição social, capacidade intelectual, física, características e habilidades. Nós SOMOS insatisfação, e é isso que nos faz sempre continuar em busca do “algo a mais”. E particularmente, acho que isso seja de um estímulo fundamental. 


O grande problema é quando há insatisfação junto a uma condição idealizada, virando obsessão. Não sou hipócrita a ponto de dizer que amo meu corpo, e que nele me sinto plena. Mas hoje, depois de muitas dietas supostamente milagrosas, remédios e inscrições temporárias em academias, aprendi a respeitar meu corpo. Não corto mais nenhum tipo de nutriente, proteína ou carboidrato. Não me abstenho dos tão falados desejos alimentícios. Não mais. Me recuso a deixar de frequentar lugares ou usar determinadas roupas, por opressão inconsciente.

Busco uma rotina mais saudável por respeito ao meu organismo. Alimentação mais natural, exercícios periódicos.. Respeito meus limites, me satisfaço ao atingir novas metas de treinos e de condicionamento. Ainda me sinto mal ao ver como a mídia lida com o corpo real, imperfeito. Me sinto deslocada em certas situações. As grandes marcas ainda não trabalham o manequim 42, 44. Muito menos o 46. E sequer fazem ideia {e se fazem, não depositam a equivalente importância} do peso que isso traz aos que já andam sobrecarregados. Beirei a obesidade tanto quanto ao desespero que isso acarreta. E deveria? Deveria, talvez. Embora não pelos motivos que o causam. As preocupações nunca foram nem são com as questões de saúde, todo mundo sabe disso. O que pesa são os olhares, a incapacidade física e acreditar que isso nos distancia do padrão. Besteira! Que criemos nosso padrão, então. 

E quando a gente se convence disso o mundo fica muito mais leve. Aceitar a si é a chave que liberta a alma, instiga a busca pelo aperfeiçoamento e incentiva a jornada. Abre-se espaço para o que realmente importa: os momentos, os sonhos, as pequenas conquistas diárias {pessoais ou coletivas}. Não vai ser fácil e nem todos os dias são bons, mas é um exercício mental que gera resultados excepcionais. O universo não seria tão amplamente fenomenal se fossemos todos iguais, ser diferente é bom! Não se cobrem ou incentivem estereótipos.